Barreiras econômicas e Teoria dos Jogos (Brasil x China)

novembro 30, 2009 às 11:49 am | Publicado em Economia, sociedade, Teoria dos Jogos | Deixe um comentário
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Economia sempre foi campo de estudo das Teorias dos Jogos.  Lendo esta notícia aqui, me veio diretamente as palavras do professor Robert Aumann:

“Fazer concessões é o pior caminho para conseguir a paz”

Aumann faz par com John Nash, ambos com nobel em economia por suas contribuições no campo das teorias dos jogos, aquele com a Teoria dos Jogos Repetitivos e o último com o Equilíbrio de Nash.  Em sua entrevista às páginas amarelas de Veja o professor Auman conta como seu contexto de vida cercado por conflitos e guerras o enveredou aos estudos dos interesses coincidentes ou opostos, como são os envolvidos no conceito de teoria dos jogos:

É uma ciência que examina situações em que dois ou mais indivíduos ou entidades lutam por diferentes objetivos, nem sempre opostos. Cada jogador tem consciência de que os outros também agem de forma a atingir as próprias metas.

Ele explica que não há uma fórmula matemática universal que se aplique a todas as estratégias possíveis, mas lembra que existe um equilíbrio quando cada jogador ou agente encontra sua estratégia ideal visando o equilíbrio das vantagens de cada ação.  Como no famoso dilema do prisioneiro.  Assim o professor afirma que no caso da II Guerra as estratégias do governo inglês em conceder sempre às solicitações de Hitler o encorajou a avançar cada vez mais em suas empreitadas.  Afirma que se o Chamberlein não tivesse cedido tanto a Hitler no momento oportuno o mesmo não teria crescido tanto e quem sabe talvez a guerra teria sido evitada apenas diplomaticamente.

“Em diversos conflitos atuais, há uma tentativa de agradar à outra parte. Erra quem pensa que atender às demandas do adversário pode trazer a paz. Isso não é verdade”

Levando essas idéias então para a situação Brasil x China onde o ministro chinês pede fim das barreiras aos produtos de seu país:

O vice-ministro de Comércio da China, Yi Xiaozhun, pediu o fim das barreiras e salvaguardas aos produtos chineses no mercado brasileiro e alertou que essa é uma das condições para que o Brasil também tenha acesso facilitado ao mercado chinês.

Temos sim um cenário para teoria dos jogos, China quer fim das barreiras aos produtos chineses, inclusive os agrícolas os quais o Brasil é, senão, o maior produtor mundial. Em troca Brasil precisa fortalecer sua balança comercial externa e a China é o maior mercado do mundo e não é interessante para nenhum país criar atritos com eles, sobretudo na área econômica.  Todos os países fazem uso das barreiras comerciais, isso é fundamental para fortalecer o mercado interno sobretudo dos países emergentes como é nosso caso, ainda mais contra China que produz em grande escala e com custos impraticáveis em outros países com legislações trabalhistas mais humanizadas. Assim as barreiras se tornam ainda mais importantes para que os produtos chineses não esmaguem o mercado interno, como já o fazem via contrabando mercado informal.

De tudo espero que os operadores das políticas externas sejam experts em Teoria dos Jogos e gestão de conflitos e que entendam bem as vantagens e desvantagens da dupla cooperação x competição.

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