Reflexão sobre a Universidade Operacional de Marilena Chaui

dezembro 5, 2009 às 10:03 pm | Publicado em gestão universitária, Serviço Público, sociedade | Deixe um comentário
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Um dos desafios que se colocam àquele que pretende desenvolver um raciocínio acerca de algo qualquer é o estabelecimento de uma coerência ou a busca de uma interpretação de conceitos contingentes à natureza do objeto. A estruturação teórica, o sistema conceitual, isto é, toda a interpretação como é conhecida implicará escolhas, o que afasta, quanto à possibilidade de discorrer a totalidade do tema.

Assim para explanar o tema proposto, busca-se contextualizar o cenário das mudanças na educação superior brasileira, trazendo à baila a reflexão de que com o surgimento do estado mínimo no Brasil, a educação, bem como outros direitos sociais passaram a ser tratados como serviços não-exclusivos do estado, permitindo que o ensino seja explorado pelo mercado através de serviços, passando a atuar apenas como agente regulador, um monitor.

Por esse caminho viu-se também que a universidade torna-se então uma organização administrativa, busca apenas somar esforços para atingir determinado objetivo, a exemplo da formação da mão-de-obra ‘especializada’ para o mercado de trabalho, em muitos casos, o característico de determinada região ou das demandas das políticas de desenvolvimento à qual está inserta. Com isso a atividade da docência resume-se à transmissão rápida de conhecimentos, deixando para trás o viés da pesquisa, tão importante para um desenvolvimento autônomo.

É verdade que o atual modelo administrativo destinado à universidade, condicionada à natureza jurídica das fundações autárquicas, é um dos entraves que se opõe à tentativa de deslocar a universidade dos grandes centros e capitais para os interiores, se ramificando naquilo que conhecemos como estrutura multi-campi. Este modelo resulta em prejuízo à autonomia da gestão de seus recursos financeiros, de compras e até de medidas administrativas consequentemente, também à realização de seu papel social. Melhor juízo faria em tratá-las como instituição social, considerando suas especificidades e interações com o meio, e não apenas como mero instrumento formador de mão-de-obra.

Diante das reflexões apura-se que o modelo universitário tratado enquanto organização não atende às demandas sociais pois está preso às limitações do modelo administrativo, o que por conseguinte desvirtua sua autonomia enquanto instituição com os caros prejuízos à sua tradição na valoração da ação cognitiva e reflexiva.

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